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| Editorial Publicado em 04/03/2010 |
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| TROÇOS PARA TRAÇAS |
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UBIRATAN IORIO Economista
São, sem dúvida, convidativos chamados para as traças aquelas fotografias de nosso presidente e de alguns de seus aduladores-ministros ao lado dos irmãos Castro, os donos de Cuba uma verdadeira farsa as explicações de nosso mandatário maior sobre a carta que lhe foi endereçada por dissidentes cubanos e que se negou a ler e uma tergiversação que não resiste a mais do que alguns segundos de argumentos, ou, pensando bem, a mais do que um simples sobrenome – Zelaya - suas declarações de que seu governo tem por norma “não se envolver em assuntos internos de outros países”!
Que o ditador-irmão Raul Castro, com impressionante falta de criatividade, tenha acusado os Estados Unidos pela morte de Orlando Zapata, de modo patético (não no sentido usual de comovente, mas de patetola mesmo), é compreensível e faz parte do estoque de mentiras de qualquer ditatorzinho que se (des)preze. Mas a justificativa (?) do presidente Silva, que chegou a Cuba na terça-feira da semana passada, horas após a morte do prisioneiro que preferiu morrer de fome a continuar na prisão (pelo simples fato de discordar do regime servil que Cuba vem, há mais de cinquenta anos, impondo a seus cidadãos), de que “lamentava profundamente" o falecimento, ao mesmo tempo em que se esquivava escorregadiamente de qualquer contato com os dissidentes que esperavam sua intervenção, sinceramente, envergonha qualquer brasileiro – como, de resto, qualquer pessoa que preze minimamente a dignidade humana e as liberdades individuais!
O presidente Silva, que teve o bom senso, talvez forçado pelas circunstâncias, de nomear para o Banco Central um homem pragmático e alheio a ideologias, é o mesmo que persiste em tentar agradar a todos, mantendo-se refém dos radicais de seu partido em termos de política fiscal, de defesa de pretensos “direitos humanos”, de intervencionismo estatal na economia e, principalmente, de sua política externa, comandada por nostálgicos defensores de um regime que, se nos anos 50 e 60 ainda iludia muitos, hoje não passa de um pacote empoeirado e bolorento de refrões e bordões, comprovadamente fracassados e completamente ultrapassados.
Jogue fora, leitor, as fotos precocemente bolorentas de nosso presidente e seus ministros ao lado dos chefes totalitários do Caribe. Não passam de reles troços para as traças devorarem...
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